segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Educação transformadora

Enquanto há vida, há esperança. A frase otimista de João Cândido Caridade, 73 anos, traduz o sentimento de que nunca é tarde para aprender. É isso que ele e mais 27 alunos da Escola Municipal Batatal, na zona rural de Mangaratiba, adotam como filosofia de vida. Este espírito, aliado à dedicação dos 18 funcionários da unidade e no investimento da Secretaria de Educação foi determinante para a conquista da Medalha Paulo Freire, do Ministério da Educação. A cerimônia de entrega do prêmio foi nesta quinta-feira (17), em Belém (PA), no 11º Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos.

“Nossa vitória se deu pela dedicação dos funcionários e pelo respeito ao ser humano”, sintetiza a Secretária de Educação e Ação Social, Mônica Santos Gomes Brito. 
O que levou a escola a conquistar este prêmio? Para a diretora da unidade, Adriana Lopes, há três fatores: a afetividade e relação próxima entre professores, direção e alunos; o engajamento que os estudantes tiveram a partir das aulas, já que eles começaram a fazer parte de conselhos comunitários e, principalmente, a relação teoria e prática, que deixou a sala de aula e passou a influir diretamente na vida dos alunos.


“Nós não temos aquela relação com os alunos em apenas cumprir uma educação burocrática. Nós os levamos para executar tarefas que são fundamentais hoje em dia, como ensinar a usar o caixa eletrônico, saber identificar os preços num shopping, supermercado, ensinar a ler e entender as placas de trânsito, itinerários dos ônibus”, afirma.

Benedito sabe bem o que é isso. Antes, precisava das filhas para conferir o extrato bancário. Agora, a situação é outra.
“Ter que depender sempre dos outros é muito ruim. Aprender a ler foi a melhor coisa que já ocorreu na minha vida”, diz o agricultor.

O mesmo sentimento tem Genildo Genoel. “Um dia minhas filhas disseram que eu tinha que voltar a estudar. Acreditei nelas e hoje sei que elas tinham razão”.



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